Uma clínica de reabilitação localizada em Terra Roxa, no Oeste do Paraná, é investigada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) por suspeitas de tortura, sequestro, cárcere privado e outras violações contra mulheres internadas no estabelecimento.
A investigação resultou na Operação Aurora, deflagrada na terça-feira (15) pela Promotoria de Justiça de Terra Roxa, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e do Centro de Apoio Técnico à Execução (Caex).
Segundo o MPPR, aproximadamente 72 mulheres estavam internadas na Clínica Médica Vida Nova, entre elas pessoas com deficiência. Há indícios de que parte das pacientes era mantida no local contra a própria vontade e impedida de sair.
A investigação apura relatos de castigos, restrição de visitas familiares, trabalhos compulsórios e administração forçada de medicamentos sedativos. Os remédios seriam utilizados para provocar a inconsciência das internas.
O Ministério Público também investiga suspeitas de omissão de atendimento médico e ameaças para que as mulheres permanecessem em silêncio durante fiscalizações realizadas no estabelecimento.
Conforme a promotora Gabriela Hanna Pereira, há relatos de pacientes que teriam sido levadas à clínica por pessoas ainda não identificadas, sem ordem judicial ou solicitação médica prévia.
Proprietário foi preso temporariamente
O gestor e proprietário da clínica teve a prisão temporária decretada por 30 dias. A Justiça também autorizou o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cinco endereços, incluindo a sede da instituição, residências, uma propriedade rural e veículos.
Durante as diligências, outro homem foi preso em flagrante por posse ilegal de armas de fogo e munições. Ele foi posteriormente liberado após o pagamento de fiança.
Equipamentos eletrônicos e outros materiais foram apreendidos e deverão ser analisados para auxiliar na identificação da possível participação de cada investigado.
Clínica contesta as acusações
A clínica não foi interditada imediatamente e as mulheres permanecem no estabelecimento. Segundo o Ministério Público, não havia estrutura para retirar e transferir todas as pacientes de uma única vez. A remoção deverá ocorrer gradualmente, com a garantia de atendimento adequado.
Em nota, a Clínica Médica Vida Nova informou que está colaborando com as investigações. A instituição negou a prática de cárcere privado, tratamentos desumanos ou condutas fora dos parâmetros legais e afirmou contar com uma equipe multidisciplinar.
As suspeitas continuam sob investigação. As responsabilidades individuais ainda serão apuradas pelas autoridades competentes.
Informações: TNOnline, com edição Portal Mauá News.

